Narrativas de terror e infantis, além de elementos históricos, parecem dar o tom de A Bruxa – longa que se anuncia como um conto folclórico da Nova Inglaterra. Há uma floresta, a bruxa do título, talvez um lobo mau, uma espécie de chapeuzinho vermelho. Esse, porém, não é um filme para crianças.
Em um ambiente de isolamento e privações do século XVII, acompanhamos a saga de um fazendeiro, sua esposa e cinco filhos lidando com situações estranhas e assustadoras. A fé dessa família extremamente religiosa será testada, e sobrarão acusações para todos os lados. Mas que diabos estaria acontecendo? Quem responsabilizar por tanta desgraça? Melhor achar logo um bode expiatório.
É nesse cenário que a filha adolescente, principal alvo da paranoia que se estabelece, aponta para um lado racional por trás dessa trama. Thomasin (Anya Taylor-Joy) expõe a incompetência do pai, um sujeito que não dá conta de cuidar da família e que ainda escondeu algumas verdades. Nem todos os males, assim, teriam uma causa sobrenatural, havendo possivelmente uma explicação de natureza mais humana. Para o patriarca, claro, melhor culpar o capeta.
Muitas perguntas surgirão, mas nem tudo virá à luz. A Bruxa trabalha nas sombras. Sugere mais do que mostra. Não traz sustos fáceis, nem cenas reveladoras. Prefere um clima de constante tensão, enquanto aborda diferentes representações do mal e permite uma reflexão sobre amadurecimento, sexualidade, feminismo, repressão, fanatismo.
Primeiro longa de Robert Eggers, que também escreveu o roteiro, A Bruxa combina elementos fantásticos e psicológicos para contar a história de uma família que, diante do banimento de sua comunidade, passa a viver nos limites de uma floresta e sofrer com eventos incomuns.
A Bruxa (The Witch: A New-England Folktale)
Direção: Robert Eggers.
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie.

