“Você é comida ou você é sexo?”, questiona uma das personagens à bela Jesse (Elle Fanning). Ainda que a conversa fosse sobre cores de batom, essa é uma discussão que tem um espaço reservado em Demônio de Neon, e a inusitada pergunta ecoará por sua trama.
Abusos, violência, necrofilia e outros temas controversos tornam-se quase belos em uma narrativa que escolhe o mundo da moda como pano de fundo. O ambiente, mostrado como feroz e sedutor, combina com a estética do longa, que dá especial atenção ao visual e trilha.
Por meio da mise-en-scène, da representação, somos levados a um universo baseado nas aparências. Observamos os bastidores de uma realidade repleta de feras e que se alimenta do novo. “Quem quer leite azedo quando você pode ter carne fresca?”, comenta Sarah (Abbey Lee), outra top model.
Mas será que a doce e inocente Jesse tem o que é preciso para vencer nessa carreira? “Você sabe do que minha mãe costumava me chamar? Perigosa”, diz a garota. “Ela estava certa. Eu sou perigosa”, complementa, mostrando que pode haver mais nela do que só um rostinho bonito.
Dirigido por Nicolas Winding Refn (Apenas Deus Perdoa, Drive), Demônio de Neon conta a história da aspirante a modelo Jesse. Ao se mudar para Los Angeles, sua juventude e pureza viram alvos. Com uma premissa bem conhecida (que caminha para um desfecho meio indigesto), o longa se diferencia pela estética e linguagem bastante, digamos, estilosas.
Demônio de Neon (The Neon Demon)
Direção: Nicolas Winding Refn.
Elenco: Elle Fanning, Jena Malone, Bella Heathcote, Abbey Lee, Karl Glusman, Christina Hendricks, Keanu Reeves.
Ano de lançamento: 2016.

